Quadrinhos Ambientalistas I - Evandro Alves/ Cerrado
No final de 2014, Evandro Alves apresentou em sua monografia uma
proposta de educação ambiental através de uma história em quadrinhos. O
objetivo é chamar atenção para os problemas enfrentados pelo Cerrado.
Tensão ecológica
A preocupação
levantada de Evandro Alves tem razões de sobra. Com 204 milhões de hectares, o
Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, só perdendo em extensão para a
Floresta Amazônica. Sua área de ocorrência está distribuída por 10 estados. O
Cerrado é também o único dos biomas do Brasil que faz limite com todos os
outros biomas, por isso mantém áreas de tensão ecológicas de extrema
complexidade e biodiversidade.
Apesar dessa riqueza,
o Cerrado vem sofrendo nos últimos 50 anos uma devastação sem precedentes. Em
2004, o IBGE apontava que aproximadamente 40% de sua área original já se
encontrava desmatada. “O bioma sofre uma destruição silenciosa que, na maioria
das vezes, passa despercebida. Essa invisibilidade dos problemas do Cerrado
está associada, geralmente, a uma visão depreciativa, como se ele fosse uma
formação florestal que não conseguiu se desenvolver”, afirma Evandro Alves.
Segundo ele, o próprio Estado, muitas vezes, reforçou um estereótipo de
Cerrado, associado a uma vegetação pobre, de árvores feias e retorcidas. “Uma
das explicações para este tipo de atitude é a pressão que as elites agrárias
sempre fizeram para expandir a monocultura pela região Sudeste”, alerta Evandro
Alves.
Mas ele não encara o
meio ambiente como algo intocável. Ao contrário, reconhece que o homem e o
ambiente são indissociáveis, mas acredita que é possível que as ocupações se
deem de forma sustentável. “A mentalidade precisa mudar. Há estudos que apontam
que, se nada for feito, o Cerrado estará extinto em 2030”, conta Evandro Alves.
Na sua opinião, políticas atuais são tímidas. “Foram criados alguns parques
nacionais, onde o Cerrado é preservado. Isto é muito positivo, mas é
insuficiente porque grande parte está desprotegida”, complementa. https://www.ufmg.br/boletim/bol1657/8.shtml





